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Psicoterapia Somática do Trauma

trauma-somatica-psicoterapiacorporalA Psicoterapia Somática do Trauma (PSTr) é uma abordagem focal, criada exclusivamente para tratar portadores de TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático) e demais patologias associadas a trauma, tais como Pânico, Fobias e Ansiedades em geral.

Essa psicoterapia compreende o manejo de técnicas relacionadas com as funções corporais estudadas na Orgonoterapia, que possibilitam o desbloqueio do segmento ocular, importante para a elaboração das memórias traumáticas e o desbloqueio do segmento diafragmático, importante para a descarga e reorganização fisiológica da energia contida em tais memórias. O bloqueio desse segmento também está relacionado ao estresse crônico, que leva à fadiga e à dissociação. Suas intervenções consistem em: aliança terapêutica, movimentos oculares, consciência das sensações corporais, respiração, posturas, manipulação direta de pontos específicos de bloqueio energético e intervenções psicológicas. É uma síntese dos procedimentos empregados na Orgonoterapia com contribuições do EMDR – Eye Movement Desensitization and Reprocessing e da SE – Somatic Experiencing. Visa desativar as memórias traumáticas carregadas energeticamente e possibilitar a ressignificação de crenças e valores inadequados que geralmente acompanham tais memórias e afetam a auto-estima e o desempenho do sujeito. É uma abordagem suave e eficaz, pois trabalha no ritmo de cada um evitando as inundações emocionais que, em alto grau, podem levar à retraumatização.

É possível dar conta dos sintomas em um número significativamente baixo de sessões – entre 12 e 20, possibilitando maior adaptabilidade e funcionalidade, o que deixa o cliente livre para escolher entre terminar sua terapia ao fim dessa etapa ou seguir se aprofundando no autoconhecimento e se desbloqueando energeticamente, conforme a proposta da Orgonoterapia. Antes que tal forma de abordar seja oferecida, o cliente tem de passar por uma avaliação diagnóstica a fim de saber se lhe é adequado tratar uma lembrança traumática desse modo ou se será necessário um tratamento de maior duração, envolvendo sua personalidade e seus bloqueios energéticos como um todo. Muitas vezes um problema aparentemente simples está dominando muitas áreas da vida e requer muitas intervenções e tempo de elaborar.

CONCLUSÃO
A Psicoterapia Corporal Integrativa é, portanto, um estudo teórico e técnico para a construção de uma abordagem apropriada a cada caso individual, que se emprega associada ao desbloqueio energético propiciador de descargas e reorganizações fisiológicas que incrementam a capacidade natural e própria de cada sujeito para o prazer de viver livre de amarras e travas desnecessárias. Suas fontes são: a Psicanálise contemporânea, mais especificamente as escolas das relações objetais e intersubjetivas; a Orgonoterapia desenvolvida por Reich e acrescida de elementos técnicos e teóricos posteriormente desenvolvidos por Jorge Stolkiner, que lidera um movimento chamado de Open-Orgonomy; a Hipnoterapia, que muito evoluiu com as estratégias clínicas de Milton Erickson, oferecendo, ainda recursos tais como Ego States Therapy para tratar dissociação; e a Traumatologia, que nos oferece pesquisas recentes sobre os efeitos do trauma na fisiologia e no psiquismo, proporcionando o emprego de recursos técnicos, tais como EMDR – Eye Movement Desensitization and Reprocessing* (Francine Shapiro) e SE – Somatic Experiencing * (Peter Levine).

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Psicoterapia Corporal Integrativa

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HISTÓRIA

A história das psicoterapias começa com a hipnose, praticada desde antes de Cristo, onde o transe, a catarse e a sugestão eram a base dos tratamentos das perturbações psíquicas entendidas como possessões externas ao eu.

Sigmund Freud descobriu a importância da elaboração dos traumas e fantasias inconscientes no processo de cura, acrescentando o aspecto analítico , que se dá pela transferência vivida na relação paciente/terapeuta.

Wilhelm Reich (foto) entrou para o movimento psicanalítico em 1919, quando ainda era um jovem estudante de Medicina interessado na sexualidade. Sua investigação do inconsciente nos pacientes que atendia era seguida de uma forte preocupação com a sociedade e a forma conflitante das relações sociais de sua época. Diante da profunda ausência de felicidade, típica da vida moderna, e ainda atual, Reich via nos excessos da educação repressiva, que priva o homem de se realizar amorosa e sexualmente, a principal causa do sofrimento. Com o sentimento de separação da natureza que se apóia no encouraçamento biofísico , notado nas diversas manifestações clínicas, há o incremento da angústia, devido à impossibilidade de se regular energeticamente pelo amor sem culpa.

Suas posições estavam de acordo com as idéias iniciais de Freud sobre a importância da genitalidade no processo de amadurecimento psíquico, o que o levou a buscar compreender de que forma o inconsciente se manifesta no corpo, de onde extrai sua fonte de energia para sustentar o caráter neurótico e os conflitos emocionais. A psicanálise evoluiu desde Freud, recebendo importantes contribuições que influenciaram tanto o método quanto a teoria, vindas de autores como: Sandor Ferenckzi, Melaine Flein, Donald Winnicott, Jaques Lacan e muitos outros. Assim como o pensamento reichiano, que evoluiu desde a clínica psicanalítica, com ênfase na análise do caráter, passando pela vegetoterapia caractero-analítica e, com a descoberta experimental da energia biológica, passou a ser chamada de orgonoterapia, nome derivado de orgonomia, como Reich chamou a ciência que estuda a energia vital que está na base dos processos psíquicos e somáticos. Seu raciocínio difere do de Freud, pois, uma vez constatada a existência de tal energia, não era mais possível pensar o psiquismo sem levar em consideração que toda a atividade psíquica e/ou é somática é regida pelas funções energéticas de base, tema que será melhor definido no artigo sobre pensamento funcional.

Como a maneira de pensar reichiana remete a outro paradigma, distinto do psicanalítico, pouco conhecido e geralmente mal divulgado, sua obra recebeu importantes contribuições de seus discípulos, cujas tendências divergiam em várias direções. Enquanto uns procuraram manter-se coerentes com posicionamento científico de Reich, outros seguiram suas próprias tendências, apoiadas em suas crenças pessoais e naquilo que observavam em seus clientes . Podemos dizer que a psicoterapia corporal de desenvolveu mais do que a ciência orgonômica, pois essa era o interesse maior daqueles que se aproximavam de Reich. E também que tal estudo presume enveredar pelos caminhos da Física, Biologia e, atualmente, das neurociências, cujos estudos em muito reafirmam as posições defendidas por Reich. Várias escolas foram surgindo e dando, cada qual a seu modo, contribuições para ampliar os recursos clínicos desta abordagem – tão polêmica quanto incompreendida e, muitas vezes, mal tratada por aqueles que nela se frustraram. Entre seus principais colaboradores, está o American College of Orgonomy , com seus pesquisadores, entre os quais se destacaram Charles Konia, Bárbara Koopmann e Elsworth F. Baker. Além desses, desenvolvendo-se de modo independente, é possível encontrar muitos de seus ex-alunos e colaboradores que fundaram suas próprias escolas, tais como Ola Raknes e Frederico Navarro (Vegetoterapia Caractero-Analítica); Alexander Lowen (Bioenergética); John Pierrakos (Core Energetic); David Boadella (Biossíntese); Gerda Boysen (Biodinâmica), entre outros.

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Fundamentos

couraca-carater-somatica-reichNa Psicoterapia Corporal Integrativa, damos tanto valor à fala quanto à necessidade de se experimentar os conflitos por processos corporais. Reich nos fala da saúde como sendo expressão da capacidade natural para o prazer, que vem com a percepção do que se move involuntariamente em nossos corpos (sensação). Se a couraça não deixa que as sensações sejam percebidas, os traumas e conflitos emocionais não podem ser solucionados, pois toda fala será encobridora e não reveladora desses problemas. Se não há liberdade de expressão, não há, tampouco, autenticidade. E o sujeito pode pensar que vive uma vida de verdade, mas está, de fato, se iludindo. A couraça caracterológica é a expressão biofísica do recalcado, do que foi silenciado, antes mesmo de ser pronunciado como verdade. Sendo caracterológica, tende a ser egossintônica, isto é, o indivíduo tende a se reconhecer assim e, portanto, carece de ressignificação, o que se obtém pela elaboração dos conflitos no nível psíquico e pelo metabolismo energético no nível fisiológico.

A couraça serve para restringir tanto o livre fluxo de energia como a livre expressão de emoções do indivíduo. O que começa inicialmente como defesa contra sentimentos de tensão e ansiedade excessivos, torna-se uma camisa de força física e emocional.

Palavras, sensações, emoções, imagens mentais, sonhos, lembranças, desejos e comportamentos são os ingredientes que põem em marcha o processo de resgate das feridas emocionais que estão na base das angústias do homem moderno. É importante rever seu script psíquico pelas recordações familiares, das sensações e emoções bloqueadas que, quando se liberam, vão dando lugar a novas sensações de vitalidade e bem-estar, prazer e auto-confiança.

psicoterapiacorporal-somatica-reichO ideal reichiano de cura se deparou, com o tempo, com as diversas transformações de costumes na sociedade moderna, que se tornou mais permissiva em relação ao ter relações sexuais, sem ter resolvido os problemas de base na formação da personalidade. O caráter genital ainda é raro e os índices de transtornos mentais continuam a crescer, o que torna necessário à psicoterapia corporal integrar recursos que a capacitem para a resolução de conflitos que decorrem tanto dos fatores estruturantes do eu, tais como relação mãe/bebê, relacionamento pais e filhos, família e educação sexual, quanto de eventos ou situações traumáticas. Além disso, é necessário que um psicoterapeuta corporal seja capaz de ajudar sua clientela a se capacitar para o desenvolvimento de recursos adaptativos, quando for o caso.

Atualmente nos deparamos com um cenário clínico bastante diversificado onde surgem problemas que vão desde depressões profundas até ansiedades que tornam a vida das pessoas um verdadeiro inferno. Encontramos também os problemas alimentares, (anorexia e bulimia), e os déficits de desenvolvimento – que em alguns casos demonstram grande pobreza de recursos para estabelecer relacionamentos íntimos construtivos -, se afirmar no mundo do trabalho, ou mesmo ser capaz de realizar os ideais que foram abortados por traumas ou por impossibilidades materiais ou psicológicas. Encontramos ainda as patologias associadas ao uso de drogas, os casos psicossomáticos e as psicoses que sempre exigem mais recursos dos psicoterapeutas. Além de se capacitar para promover uma maior identificação com as funções naturais para o prazer e para o amor expresso genitalmente, é necessário que o psicoterapeuta corporal se capacite, igualmente, para ajudar na resolução de problemas que dificilmente se resolverão espontaneamente, como era esperado por Reich, inicialmente, que achava que, se fosse possível estabelecer a potência orgástica, nos organismos adultos, esta, por si só, enfraqueceria as fontes de energia dos conflitos psicológicos e emocionais. Isso é verdade, desde que os mesmos tenham sido devidamente tratados.

No entanto, o que se vê na prática é que, se há um núcleo traumático ou de abandono, ao fundo, o que faremos com a derrubada das defesas neuróticas e de caráter é deixar o sujeito ainda mais fraco e vulnerável ao seu sofrimento. Mas, se tais núcleos são tratados tão logo surjam, empregando-se aí a técnica apropriada, a energia que se libera das defesas pode, então, formar uma base natural para o prazer, trazendo um senso de vitalidade e bem estar protegido por um ego mais capaz.