Arquivo de tag personalidade

poradmin

Saúde Mental Por Uma Ética Bio-Psico-Social

saudemental-psicoterapiacorporal-ricardoteixeiraAutor: Dr.Ricardo Teixeira
A Normalidade e as Anormalidades

No poema “Traduzir-se”, de Ferreira Goulart, destacamos os versos: “uma parte de mim é todo mundo outra parte é ninguém, fundo sem fundo”, para demonstrar, de uma forma poética, o aspecto mais inquietante de nossa natureza mais profunda. Pois é no “fundo sem fundo” do mais íntimo de nossa experiência que podemos perceber que somos incapazes de formular definições que esgotem o eu como um tema. “Eu sou assim ou assado” é sempre uma forma transitória de tentar estabelecer uma verdade sobre nós mesmos que nos baste até que tenhamos que lidar com novas atribulações. Buscamos, sim, pensar que somos bons, honestos, sinceros e, acima de tudo, normais. Mesmo que encontremos, nas minorias que se agrupam em função de suas diferenças, algo que não se pareça com o que vemos no espelho das nossas identificações, lá também se pode ver que os “diferentes” estão em busca da preservação de um senso de identidade que os proteja dos mesmos elementos que, uma vez ativados das profundezas de seu psiquismo, também os tornaria sujeitos das mesmas inquietações que aqueles que se definem como normais.

Ler mais

poradmin

Transtorno do Estresse Pós-Traumático – TEPT

transtorno-estresse-postraumatico-somatica-psicoterapiacorpoA psiquiatria norte-americana define, em seu Manual Estatístico de Transtornos Mentais DSM IV (4ª Edição – Artes Médicas), o TEPT como sendo o “desenvolvimento de sintomas característicos após a exposição a um extremo estressor traumático envolvendo a experiência pessoal direta de um evento real ou ameaçador que envolve morte, sério ferimento ou outra ameaça à própria integridade física; ter testemunhado um evento que envolve morte, ferimentos ou ameaça à integridade física de outra pessoa; ou o conhecimento sobre morte violenta ou inesperada, ferimento sério ou ameaça de morte ou ferimento experimentados por um membro da família ou outra pessoa em estreita associação com o indivíduo. A resposta ao evento envolve intenso medo, impotência ou horror. Em criança, a resposta pode envolver comportamento desorganizado ou agitado.

Os sintomas devem estar presentes ainda após um mês e causar danos significativos no funcionamento geral da pessoa. São eles: hipervigilância; recordações aflitivas; pesadelos; imagens intrusivas; angústia; irritabilidade; surtos de raiva; reações exageradas a estímulos (sobressalto); dificuldade de concentração e memória; evitação de situações que lembrem o trauma; esquecimento de aspectos importantes do trauma; falta de motivação para exercer atividades antes consideradas importantes; distanciamento afetivo, indiferença; perda da perspectiva de futuro em relação a projetos de longo prazo (casamento, filhos, carreira profissional).

Além desses sintomas associados ao choque, o trauma também pode deixar marcas profundas na auto-estima, que se caracterizam por uma falta de auto-confiança, insegurança em relação a si mesmo e à vida, propensão ao fracasso profissional e amoroso e a estabelecer relacionamentos conflitivos no campo afetivo, profissional e interpessoal. Na abordagem que propomos do problema, levamos em consideração que o sofrimento psicológico deixado pelo trauma encontra subsídio na fisiologia tanto quanto no psiquismo, devendo, portanto, ser tratado em ambas as frentes.

Há também os sintomas ligados ao congelamento, que serão definidos no capítulo que fala sobre dissociação. São eles: torpor; sentir-se fora do corpo; falta de sensibilidade à dor; amnésia dissociativa; despersonalização e desrealização; confusão de identidade; dificuldade para reconhecer os próprios sentimentos (falta de contato) e dos outros.

As chamadas doenças psicossomáticas também fazem parte dos quadro traumáticos, uma vez que diversos problemas orgânicos estão direta ou indiretamente relacionados a memórias traumáticas não resolvidas. São eles: epilepsias (idiopáticas); quadros respiratórios crônicos; dor crônica; tendinites e outras inflamações neuro- musculares; entre outros. Segundo a visão reichiana, tudo que interfere no ritmo da pulsação e do fluxo energético pode gerar problemas físicos e psicológicos, uma vez que a atividade energética está na base do funcionamento da vida.

Muitos dos Transtornos de Ansiedade estão diretamente relacionados ao trauma. É comum que os clientes relatem incremento em seus sintomas de ansiedade, fobia e pânico após terem passado por eventos traumáticos ou por situações que tenham reativado lembranças de traumas não resolvidos.

 

FOBIAS, PÂNICO, ANSIEDADE
O medo está na raiz de nossa existência, assim como a fome e a sexualidade, uma vez que deles dependemos para sobreviver, pois a função racional do medo é alertar quando a vida está em perigo. Reich demonstrou que um organismo unicelular como uma ameba, se for atacado sucessivas vezes por um choque elétrico de baixa voltagem no momento em que buscar se alimentar, irá se encolher até enrugar e logo morrerá, pois não mais se “atreverá” a lançar seus pseudópodos na direção do alimento. Esse fato se dá devido à prevalência de um princípio comum de funcionamento existente em todo organismo vivo, que está na base das estruturas orgânicas como nervos, órgãos e músculos. A ciência orgonômica se baseia no estudo dos campos energéticos que formam a matéria viva e suas leis de funcionamento. (Esse tema será melhor explicado nos artigos deste site e na bibliografia sugerida.) Por enquanto, seguiremos analisando o medo e suas manifestações patológicas, entendendo que, no referencial teórico a que nos propomos estudar, cabem contribuições de outras abordagens.

 

ORIENTAÇÃO E AUTO-AJUDA
Não é possível saber, a priori, se quando uma pessoa, adulto ou criança, passa por algum dos tipos de experiência traumática que aqui descrevemos irá ou não desenvolver algum tipo de sintoma. Estatísticas indicam que, pelo menos uma vez a cada cinco anos, uma pessoa pode experimentar algum tipo de evento traumático. Há ainda outras que afirmam que em cada evento traumático, pelo menos 25% das pessoas nele envolvidas, seja por ter sofrido a ação ou por tê-la testemunhado, irão desenvolver sintomas de TEPT.

Se considerarmos que não somos seres perfeitos e que nossa vulnerabilidade pode nos propiciar a formação de sintomas e ainda que, por não termos o controle que gostaríamos sobre o que pode nos afligir, devemos considerar que a exposição a eventos traumáticos, seja esporádica ou constante, pode ou não produzir quadros clínicos com certa gravidade. Chega a ser lamentável saber que há um grande número de pessoas sofrendo silenciosamente, por anos e anos, dos efeitos de traumas encobertos (ou não) em suas memórias que poderiam estar desfrutando melhor de suas vidas caso tivessem a ajuda necessária para superar seus problemas. Mas temos de levar em consideração também que, assim como somos vulneráveis o bastante para adoecer, somos também dotados de mecanismos naturais que nos permitem não somente sobreviver, mas também superar os efeitos danosos dessas experiências, ganhando, inclusive, mais conhecimentos sobre nós mesmos e sobre a vida.

Na abordagem psicoterapêutica corporal que adotamos, enfrentamos o problema ativando os recursos naturais da fisiologia e do psiquismo dos cliente, sem nada tirar nem por, mas sim transformando o que já existe. E é importante deixar claro que é possível, sob pena de extinção da raça humana, superar traumas sem ajuda psicoterapêutica de qualquer espécie. Para isso, é preciso contar com a capacidade de contato com suas sensações e elaboração.

poradmin

Traumatologia

estresse-traumatico-somatica-psicoterapiaDesde a inclusão do Transtorno do Estresse Pós Traumático (TEPT) no DSM III, em 1980, quando, então, essa patologia passou a ser reconhecida, diversas pesquisas em teoria e técnica foram estimuladas e esse termo vem sendo empregado na Psicologia e na Psiquiatria para definir um tipo específico de estudo em relação ao trauma e ao seu desdobramento psicológico, fisiológico e social.

Embora esse termo também seja usado na medicina para se referir aos traumas ortopédicos, cirúrgicos, entre outros, na Psicologia e na Psiquiatria, seu emprego remete ao estudo das patologias decorrentes do trauma não resolvido. Aí encontramos os Transtornos Dissociativos, de Ansiedade e alguns Transtornos de Personalidade e as Somatizações, onde o trauma desempenha papel preponderante em sua constituição. Estudiosos como Peter Levine consideram não somente os traumas de choque, mas levam em consideração também os traumas de desenvolvimento, que são os decorrentes dos choques sofridos na infância, onde cabem tanto as quedas, cirurgias, entre outros, quanto os choques causados pelos pais ou outros protetores, e as deficiências na formação dos vínculos parentais estruturantes. Isso demonstra também que a importância do trauma na Psicologia e na Psiquiatria vara de tempos em tempos.

Com Sigmund Freud, o criador da Psicanálise, o foco passou do evento traumático real para a fantasia e para o conflito inerente, resultando num certo desinteresse pela ferida traumática em si. Diversos estudos com ex-combatentes e com vítimas de abuso demonstram que a fantasia e o conflito são tão importantes quanto a lembrança traumática (real). Nossa abordagem pretende dar conta de ambos os lados da questão, aprofundando e ampliando o efeito terapêutico tanto no nível fisiológico quanto no nível psíquico.