Saúde Mental Por Uma Ética Bio-Psico-Social

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Saúde Mental Por Uma Ética Bio-Psico-Social

saudemental-psicoterapiacorporal-ricardoteixeiraAutor: Dr.Ricardo Teixeira
A Normalidade e as Anormalidades

No poema “Traduzir-se”, de Ferreira Goulart, destacamos os versos: “uma parte de mim é todo mundo outra parte é ninguém, fundo sem fundo”, para demonstrar, de uma forma poética, o aspecto mais inquietante de nossa natureza mais profunda. Pois é no “fundo sem fundo” do mais íntimo de nossa experiência que podemos perceber que somos incapazes de formular definições que esgotem o eu como um tema. “Eu sou assim ou assado” é sempre uma forma transitória de tentar estabelecer uma verdade sobre nós mesmos que nos baste até que tenhamos que lidar com novas atribulações. Buscamos, sim, pensar que somos bons, honestos, sinceros e, acima de tudo, normais. Mesmo que encontremos, nas minorias que se agrupam em função de suas diferenças, algo que não se pareça com o que vemos no espelho das nossas identificações, lá também se pode ver que os “diferentes” estão em busca da preservação de um senso de identidade que os proteja dos mesmos elementos que, uma vez ativados das profundezas de seu psiquismo, também os tornaria sujeitos das mesmas inquietações que aqueles que se definem como normais.

Embora não seja possível reconhecer em nosso eu uma estabilidade tal que possa nos identificar por toda a vida, e alguns fatores psíquicos e energéticos tais como temperamento, humor, caráter e nível de energia possam estar variando um pouco, é na auto imagem que mais nos esforçamos para mantermos uma constância. É dizendo para nós mesmos como queremos ser vistos pelos outros que buscamos uma forma definida para nosso tão amado eu. Mesmo nos casos de baixa auto-estima, vemos que a auto-imagem busca ser estável embora certos conceitos negativos sobre si mesmo sejam um mero exercício de auto depreciação.

A Busca de Um “In-Certo” de Si Mesmo

É na busca de um in-certo si mesmo que nos deparamos com as diversidades que nos espantam e que encontramos com o que tão bem sintetiza o poeta quando nos diz: “uma parte de mim é permanente, outra parte se sabe de repente”. Buscando algo certo e permanente, podemos dizer de nós mesmos que somos gerentes das incertezas que nos constituem e determinam consciente ou inconscientemente. Uma pessoa que sofre de ataques de pânico em elevadores ou aviões, mesmo que esteja se sentindo segura, entra numa verdadeira batalha até conseguir provar a ela mesma, através de mais um ataque de pânico, que ela é o que pensa ser. Não estou afirmando que haja um desejo consciente de flagelar-se entrando em pânico. Mas sim que, diante das intensas e sucessivas descargas de medo, há a tentativa desesperada, esta sim inconsciente, de transformar aquilo que é imaginário em real. Ou seja, se a crença é “eu vou morrer” é preciso que o medo seja intenso para justificá-la. Ainda no exemplo do pânico, recorro a outro verso para lembrar que “uma parte de mim pesa e pondera, outra parte delira!”, mostrando que a razão está sempre procurando justificativas que aplaquem o mau juízo que ela faz de um eu incapaz de aquietar a outra parte, “delirante”.

Tomando como exemplo agora a própria normalidade, encontramos sujeitos mais bem sucedidos em derrotar o medo, inimigo que emerge frontalmente nos portadores de pânico, sentindo-se suficientemente seguros de si e autoconfiantes para gerenciar pessoas, organizações, empresas, famílias, governos, entre outros, mas, mesmo assim, deparam-se com as incertezas da saúde física, pois podem ser grandes somatizadores dos medos indomados, das angústias e das perdas não elaboradas. Podem também demonstrar suas vulnerabilidades, sendo arrogantes, pretensiosos, propagandistas de um falso eu, bem sucedido, sim, naquilo que lhe compete, mas fraco naquilo em que é menor. É o exemplo do grande colecionador de conquistas comerciais, políticas ou sociais que não foi capaz de amar nem mesmo aos próprios filhos e foge de qualquer situação onde seja requerido a se comunicar afetivamente e não técnica ou politicamente. Podemos citar os médicos, psicólogos e demais profissionais de saúde que se sentem superiores por deterem algum domínio sobre o funcionamento da vida, mas mal conseguem se relacionar com a diferença ou o desconhecido. Como exemplo, cito a resistência desses profissionais a ouvirem os colegas de áreas afins.

No fundo, todos tememos que nosso equilíbrio se veja despencado por qualquer evidência contrária às crenças que tomamos como argumento para justificar nossos atos e pensamentos. Ainda nos versos do poema, encontramos que “uma parte de mim é multidão, outra parte estranheza e solidão”. Aqui vemos porque muitos de nós, que vive uma vida normal, com responsabilidades sociais assumidas, com algumas histórias de sucesso para contar, evita falar de nós mesmos, seja no divã ou numa relação amigável, a não ser para fins de algum interesse ou superficialmente. Alguns filhos, já adultos, se espantam quando vêem seus pais falando sinceramente de si mesmos ou se emocionando, pois estiveram à frente de alguém que, durante a maior parte do seu tempo, se mostrou parcialmente, superficialmente ou nunca se mostrou evitando deparar-se com sua própria estranheza e solidão.

Fatores Que Determinam As Patologias

“Uma parte de mim é só vertigem, outra parte linguagem”. Nesse verso, nos encontramos com algo muito interessante em nosso tema. O que seria a vertigem senão aquilo que fala do fracasso do eu em se situar através do uso da linguagem que lhe atribui um significado?! O que teria havido então?

Fatores Ambientais

Desde a fecundação, estamos sujeitos a diversas interações com o meio ambiente de modo a influenciar nosso destino. As condições psíquicas da gestante, os aspectos nutricionais, o parto e a amamentação são fundamentais e determinantes na constituição do eu. A relação mãe/bebê, o processo de socialização e a falta de identificações estruturantes são fatores importantes desde uma visão psicanalítica. O trauma exerce grande importância como fator ambiental tanto na estruturação do eu quanto na formação de patologias. Os estados de choque causados pelas experiências ameaçadoras da vida, tais como agressões, acidentes, catástrofes, abusos, estupros, entre outros, podem interferir no curso da vida de modo decisivo.

Fatores Biológicos

Estudos falam da predisposição genética para a esquizofrenia e a depressão, associadas a fatores ambientais estressantes.

Fatores Sociais

Pobreza e desemprego podem desencadear processos patológicos ligados a ansiedade e depressão, além de transtornos de personalidade. Incidem no aumento de conflitos sociais e promovem guerras. A propaganda de cigarro e bebida pode incentivar ao alcoolismo e às drogas. Sociedades que estimulam ao consumismo e ao sucesso acima de tudo podem gerar sentimentos de fracasso e depressão, pois nem todos podem ou querem ser vencedores, sempre.

O Cerne Biológico

Wilhelm Reich, partindo de uma perspectiva psicanalítica, investigou as fontes de energia das neuroses no corpo e se deparou com a base bioenergética da saúde. Para ele, saúde física e mental é a capacidade de sentir o fluxo e as pulsações energéticas, percebidos e preservados por um eu permeável às mudanças deste continuum. Mesmo que algumas características, em geral adaptativas e funcionais, permaneçam no eu como algo mais ou menos constante, variando conforme as circunstâncias, a idade e as necessidades, o mesmo se mostraria plástico e flexível, embora se mantenha firme quanto a valores éticos e morais que preservam a vida em suas manifestações básicas, tais como: sexualidade, amor, trabalho e conhecimento.

Preconizava que a verdadeira civilização humana ainda não havia acontecido, uma vez que nossa organização social é contrária à vida, já que se baseia na repressão e na dominação, o que leva os indivíduos, desde a mais tenra infância, a perderem o contato com suas sensações de órgãos, sensações estas que dão ao sujeito uma percepção apropriada de si mesmo em detrimento da auto-imagem construída a partir das exigências externas (por formação reativa), onde os verdadeiros sentimentos acabam por se omitir. Reich fala aí da possibilidade de que os indivíduos se reconheçam desde as manifestações de seu cerne biológico, de onde brotam os impulsos criativos, a capacidade de amar e uma inteligência ecossistêmica. Esse eu estaria amparado pela mãe suficientemente boa, pelo pai-lei e pela organização social cujas leis privilegiam a vida e seu funcionamento dinâmico, fluido e mutável. Certamente que aqui estamos falando de um ideal que se mostra ainda distante, pois, no que se refere à vida normal, o que encontramos de fato é uma “normopatia” apoiadora de um modo perverso de coexistir e um intenso “imobilismo” no tocante a mudanças favoráveis a tornar realidade o que idealizamos como uma sociedade saudável. Ou seja, para Reich, as patologias do eu decorrem do fato de que o mesmo tem que se constituir em oposição aos “instintos naturais” de busca de aceitação e amor e desenvolvimento e expressão das potencialidades naturais para amar, trabalhar e buscar conhecimento, dando, portanto, maior importância aos fatores ambientais na constituição do eu, saudável ou patológico.

Ética e Saúde

A sociedade Inca (Peru) tinha um código de leis bastante simples e eficaz. Suas regras restringiam-se a não mentir, não roubar e não matar. Com essas três leis era possível controlar os membros da comunidade e submetê-los à autoridade do líder que, em última instância, era também submetido às mesmas leis. Em nossa sociedade, muito mais complexa e distorcida em sua regra mais simples e óbvia, ou seja: aquele que comete um delito está em dívida com a sociedade e deve, portanto, ser por ela punido, encontramos brechas e justificativas que mostram que o respeito às leis é sempre relativo.

Podemos, então, dizer que, em nossa sociedade, cultivamos o amor, a beleza, o sucesso e a busca de conhecimento, mas também somos sugeridos a falsificar o eu e às perversões através das pequenas ou grandes trapaças, que se tornam cada vez mais conhecidas.

É curioso notar que, ao mentir, uma pessoa pode apresentar reações fisiológicas que podem ser detectadas num aparelho – o detector de mentiras. Isso significa que existe a fisiologia da mentira, assim como existe a fisiologia da verdade, facilmente percebida quando uma pessoa diz que abriu seu coração e disse tudo que pensava e sentia em relação a alguém e depois sentiu um enorme alívio. Quando alguém mente, em geral justifica-se racionalizando sua mentira, mas não consegue entender porque sente tanto mal estar. A mentira nas relações de trabalho, na família e no casamento, geralmente é acompanhada de muito mal-estar e de conflitos que se propagam em diversos níveis. Certamente que há os mentirosos profissionais, protagonistas de uma vida falsa, vendedores de imagem sem conteúdo que carecem do reconhecimento do valor da ética e da moral como protetores da vida. Parece que, enquanto não se resolver essa contradição, jamais teremos o prazer de viver em uma sociedade justa, honesta e confiável.

Segmento Ocular e o Estresse Traumático

Segmento ocular foi assim designado por Wilhelm Reich ao descobrir a disposição segmentada da couraça. Ou seja, Reich percebeu que nossos bloqueios emocionais se organizam no corpo de modo transversal, enquanto que o fluxo energético corre na direção longitudinal. Os segmentos são sete: ocular, oral, cervical, toráxico, diafragmático, abdominal e pélvico. Cada um deles responde por funções energéticas, somáticas, emocionais e psicológicas. Em cada um encontramos informações sobre a formação psicossomática do individuo, suas potencialidades, limites e inibições. Os bloqueios em cada segmento podem se manifestar como: hipertônicos, hipotônicos e distônicos e somente uma leitura do organismo como um todo envolvendo os aspectos psicológicos, caracterológicos e somáticos pode nos dar uma dimensão clara sobre o funcionamento geral de cada sujeito.

O segmento ocular responde pela percepção total do funcionamento interno e externo. É a parte do corpo que processa as informações do ambiente (interno e externo) e se constitui anatomicamente dos olhos, músculos da cabeça e da face, o cérebro em seus três níveis (cortical, límbico e reptiliniano) envolvendo portanto o SN Central e SN Autônomo. Sua função principal é chamada por Reich de “contato”. Nossa capacidade de contato está diretamente relacionada com o bom funcionamento deste segmento e varia conforme a natureza da estrutura de caráter e da organização somática de cada um. A função contato está se estruturando desde a vida intra-uterina, quando o feto já responde a estímulos externos, tais como ser chamado pelo nome, reagir à presença do pai ou de alguém significativo para a mãe, encolhendo diante de ameaças vividas pela gestante e expandindo diante da segurança e conforto por ela experimentados. O nascimento desempenha um papel preponderante, pois o bebê será capaz de detectar se está chegando a uma atmosfera amistosa ou hostil. Se é aceito ou rejeitado, se tem sua existência reconhecida ou “coisificada” pela mãe ou por quem dele cuida. Antes mesmo de nascer e principalmente neste exato momento estão se formando as bases da capacidade de contato que lhe assegurará no futuro a capacidade de ser ele/ela mesmo(a) e de distinguir-se na relação sujeito/objeto, eu/mundo. Este período é essencial na formação do apego, como podemos ver nos trabalhos de Klaus & Kennel (1993 Ed. Artes Médicas, “Pais/bebê a formação do apego”) e irá definir a possibilidade de se constituir uma personalidade saudável, com pouco ou nenhum problema de contato , diferente de quem não estrutura convenientemente este nível, decorrendo em formações psicóticas, neuróticas ou personalidades instáveis. A falta de contato estruturante do nível ocular será percebida pelo organismo de modo tão ameaçador quanto um choque traumático, fazendo com que o organismo tenha severas dificuldades de integrar as informações de seu corpo e de seu ambiente externo.

O estresse traumático está entre as patologias que se formam decorrentes de déficits de maturação, bloqueios ou traumas gerados nesta fase. Está correlacionado com o equilíbrio geral do organismo envolvendo os bloqueios e disfunções de outros segmentos que compõem a base do encouraçamento bio-psíquico. Os vários tipos de couraça caracterológica formam a base de proteção do indivíduo contra as angústias originadas por emoções reprimidas, fantasias incestuosas recalcadas, sentimentos de dor e desamparo, angústia de morte e aniquilamento que estavam fora da consciência até o aparecimento de um evento deflagrador, traumático ou desestabilizador, capaz de trazer à tona os conteúdos até então silenciados. O aparecimento desses conteúdos sob a forma de sintoma exigirá do centro processador de informações (segmento ocular) um profundo trabalho de elaboração dessas informações, até então “trancadas a 7 chaves” no inconsciente, em busca da recuperação do equilíbrio perdido. A existência de bloqueios ou deficiência no funcionamento deste segmento pode tornar este trabalho muito mais difícil, ou mesmo impossibilitá-lo, agravando a sintomatologia que tenderá à repetição, restringindo de modo significativo a vida do sujeito, como podemos verificar nos pacientes diagnosticados com Estresse Pós-Traumático, Transtornos Dissociativos e demais patologias decorrentes de trauma.

Os tratamentos psicoterapêuticos disponíveis, de base psicodinâmica, deixam a desejar na resolução desses sintomas, uma vez que pouco ou nada interferem na base funcional do segmento ocular , tornando assim quase impossível que se dissipem facilmente. A fonte de segurança do cliente está na relação transferencial, que tem um valor simbólico importante para a duração e eficácia desse tipo de tratamento, mas não na ativação da capacidade metabólica do trauma em si tanto quanto de suas significações imaginárias. Recentemente, outros métodos de tratamento foram se mostrando surpreendentemente eficazes no tratamento de traumas, entre os quais destaco o EMDR- Eye Movement Desensitization and Reprocessing, (Dessensibilização e Reprocessamento Através de Movimentos Oculares), por sua semelhança e complementariedade com as técnicas de desbloqueio do segmento ocular. O EMDR é composto de um protocolo básico, onde são evidenciadas: a cena traumática; a crença dela resultante; um pensamento desejável (que aponta para a resignificação); uma medida de veracidade (VOC) e outra de intensidade (SUD) da emoção, além de sua localização no corpo. Uma vez montado este protocolo, o mesmo é processado através de movimentos oculares ou de estímulos bi-laterais, até que se tenha passado por todas as cadeias associativas referentes ao trauma em si. Essas são compostas de emoções, sensações corporais, pensamentos, lembranças, imagens e comportamentos relacionados com a cena traumática. Considera-se concluído o tratamento quando as lembranças traumáticas perdem a sua capacidade de ativar os sintomas e se tornem objetos de uma significação que valorize o sujeito e aponte para uma visão positiva do ocorrido com relação a si mesmo. Isso costuma se dar em pouco tempo e seus efeitos terem longa duração.

Como não é de se surpreender, nos treinamentos de EMDR, não há nenhuma alusão teórica que se refira a maturação do segmento ocular e sua importância na formação da personalidade e do caráter. Os trabalhos de W.Reich e seus seguidores (escolas neo e pós reichianas) não são citadas, tendo seu valor descartado em favor dos esforços desempenhados pela autora do método, a psicóloga Francine Shapiro. Embora seu mérito na formulação deste protocolo e de suas variações seja indiscutível, uma vez que nada semelhante foi proposto nem por Reich nem por seus estudiosos, cabe lembrar que para a valorização do trabalho clínico, o EMDR pode ser considerado uma valiosa ferramenta complementar no processo orgonoterapêutico* na fase de desbloqueio do segmento ocular. Pode também ser considerado que os terapeutas treinados em EMDR e outras técnicas de trauma podem se beneficiar muitíssimo da compreensão da importância deste segmento e das técnicas nele empregadas pelos reichianos.
(*depois da fase psicanalítica Reich chamava seu trabalho de Vegetoterapia caractero-analítica. Orgonoterapia é o nome dado por ele ao seu método, depois de haver descoberto a energia vital a que chamou de orgone.).

Outro método que tem uma importância cabal no tratamento do trauma é o Somatic Experiencing proposto por Peter Levine que, tendo em Reich sua “primeira inspiração”, investigou os efeitos do trauma no mundo animal, na fisiologia e no psiquismo. Sua técnica baseia-se no manejo da senso-percepção ( Uma maneira de se referir à consciência das sensações no interior do corpo) ativando progressivamente o contato com as sensações e reorganizando a fisiologia alterada pelo estresse traumático. Também aqui são complementares os recursos empregados na Orgonoterapia e no EMDR.

As técnicas de desbloqueio do segmento ocular são: actings, que são movimentos específicos dos olhos; pressão leve em alguns pontos da cabeça e da nuca; expressar caretas de emoções como medo, raiva, tristeza, alegria, etc…; seguir uma lanterna, próxima dos olhos, durante algum tempo; olhar para seu próprio olho num espelho; concentrar-se num ponto fixo à sua frente; seguir o desenho de uma mandala e analisar fantasias e crenças disfuncionais. A análise dos conceitos aplicados ao eu é de grande ajuda no tratamento pois nem sempre estão de acordo com a funcionalidade desejável para que uma pessoa viva de modo integrado. Neste aspecto são consideradas as idéias narcísicas de superioridade e de inferioridade, as fantasias de rejeição, abandono, punição pela realização de desejos, ou pela hostilidade projetada. Tratar destas questões associando movimentos oculares costuma propiciar uma elaboração eficaz e permanente das expectativas e temores ligados ao desempenho do eu, que costumam se manifestar em pessoas perfeccionistas.

As técnicas são empregadas em constante relação com a responsividade dos outros segmentos e da respiração. Seu sucesso depende da firmeza com que se estabeleçam os vínculos tranferenciais e da aliança terapêutica. Há uma correlação entre os bloqueios oculares e diafragmáticos que é bastante comum no estresse traumático. Principalmente associado a pânico onde a dissociação teve papel significativo. É o caso também de quem tem diversas memórias traumáticas sobrepostas desde o primeiro ano de vida, que se mantiveram encobertas por defesas narcísicas, mas que se deflagram quando ocorre algum insucesso na vida amorosa ou profissional. Pode despertar uma depressão reativa, acompanhada de fadiga intensa e incapacidade para desempenhar tarefas que antes eram realizadas normalmente. A situação em questão leva a uma fuga de energia da periferia para o centro e das pernas para a parte de cima do corpo, revelando uma falta de contato com o chão (realidade) e falta de força para seguir empreendendo tarefas do cotidiano. Forma-se então um território propício para o surgimento de fantasias de morte, destruição e fracasso. Este é um dos casos em que o tratamento deve contemplar simultaneamente o desbloqueio dos segmentos ocular e diafragmático, direcionando energia para os braços e pernas, juntamente com a elaboração das crenças e fantasias destrutivas. O terapeuta deve estar preparado para lidar com as idéias destrutivas do paciente ajudando-o a superar o que pode se tornar a fonte de comportamentos indesejáveis tais como, condutas impulsivas, abuso de drogas e suicídio.

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