I Congresso Ibero-Americano de EMDR – 2007

APRESENTAÇÃO DE TRABALHO:

Apresentação de Trabalho
I Congresso Ibero-Americano de EMDR
Caros colegas do EMDR,

Felizmente já contamos com a confirmação da vinda de grandes estrelas do mundo do EMDR para abrilhantar nosso Congresso Ibero-Americano, o que sem dúvida significará oportunidade imperdível de aprendizagem, atualização e intercâmbio internacional para todos nós. Apesar de o EMDR ser ainda recente no Brasil, desejamos contemplar trabalhos que representem nossa prática nacional.

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Curso de Psicoterapia Corporal Integrativa

MÓDULOS I, II e III – Transtornos de Ansiedade, Pânico e Estresse Traumático

Objetivo: este curso é voltado para a capacitação de profissionais da clínica psicoterapêutica que incluem, ou desejam fundamentar-se em técnicas corporais e psicológicas para o trabalho analítico-corporal e também para o atendimento de situações de crises causadas por trauma. Baseia-se numa versão atualizada dos fundamentos teóricos de Wilhelm Reich, desde o período psicanalítico até os achados orgonômicos. As atualizações decorrem de pesquisas nas áreas do Trauma, Psicanálise, EMDR, Experiência Somática, Neurociências e dos orgonomistas modernos, mantendo o enquadre orgonômico e caractero-analítico.

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Instituições internacionais que apoiam o EMDR

bibliografia-livros-psicoterapiacorporal-ricardoteixeiraPRIMERA PARTE: GUIA PARA EL TRATAMIENTO INTERNACIONAL

(1) Bleich, A., Kotler, M., Kutz, E., y Shalev, A. (2002) A position paper of the (Israeli) National Council for Mental Health:
Guidelines for the assessment and professional intervention with terror victims in the hospital and in the community. Jerusalén, Israel.

Conclusión: EMDR es uno de 3 métodos que se recomiendan en el tratamiento de víctimas del terrorismo. Esta recomendación fue hecha por el Consejo Nacional Israelí de Salud Mental.

(2) Chambless, D.L. et al. (1998). Update of empirically validated therapies, II. The Clinical Psychologist, 51, 3-16.

Conclusión: Según un comité de la División Clínica de la Asociación Americana de Psicólogos (American Psychological Association), los únicos métodos psicoterapéuticos que son científicamente indicados como eficaces para el tratamiento del desorden del estrés postraumático (DEPT) son: EMDR, terapia de exposición y la terapia de vacunación contra el estrés (stress inoculation therapy de Meichenbaum).

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Saúde Mental Por Uma Ética Bio-Psico-Social

saudemental-psicoterapiacorporal-ricardoteixeiraAutor: Dr.Ricardo Teixeira
A Normalidade e as Anormalidades

No poema “Traduzir-se”, de Ferreira Goulart, destacamos os versos: “uma parte de mim é todo mundo outra parte é ninguém, fundo sem fundo”, para demonstrar, de uma forma poética, o aspecto mais inquietante de nossa natureza mais profunda. Pois é no “fundo sem fundo” do mais íntimo de nossa experiência que podemos perceber que somos incapazes de formular definições que esgotem o eu como um tema. “Eu sou assim ou assado” é sempre uma forma transitória de tentar estabelecer uma verdade sobre nós mesmos que nos baste até que tenhamos que lidar com novas atribulações. Buscamos, sim, pensar que somos bons, honestos, sinceros e, acima de tudo, normais. Mesmo que encontremos, nas minorias que se agrupam em função de suas diferenças, algo que não se pareça com o que vemos no espelho das nossas identificações, lá também se pode ver que os “diferentes” estão em busca da preservação de um senso de identidade que os proteja dos mesmos elementos que, uma vez ativados das profundezas de seu psiquismo, também os tornaria sujeitos das mesmas inquietações que aqueles que se definem como normais.

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Sobre a Eficácia dos Estímulos Bilaterais em Psicoterapia

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Autor: Dr.Ricardo Teixeira

Desde 1987, ano em que a psicóloga norte-americana, Francine Shapiro, Ph.d., descobriu os efeitos curativos do emprego dos movimentos oculares no tratamento de memórias traumáticas, o EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing) vem sendo empregado com uma eficácia surpreendente. O polêmico método que despertou a curiosidade de psicólogos clínicos, psicanalistas e psiquiatras do mundo inteiro, tornou-se também objeto de inúmeras pesquisas por parte de cientistas que investigam o que ocorre no cérebro de pessoas traumatizadas. Parece até que a humanidade criou a ciência para dar validade àquilo que vemos com nossos próprios olhos, mas que custamos a crer que seja verdade. Isto é o que nos dizem as imagens obtidas por ressonância magnética que o pesquisador Bessel Van der Kolk fez do cérebro de pessoas traumatizadas. Pedindo-lhes que pensassem nas suas lembranças traumáticas, o cientista verificou através dos seus aparelhos que algumas áreas do cérebro (hipocampo e corpo caloso) demonstravam certo encolhimento. Notou também uma ativação mais acentuada no hemisfério direito, onde se encontram as funções de ordem afetiva e instintiva. As mesmas pessoas foram submetidas ao tratamento com EMDR. Ao final deste, quando, na percepção subjetiva dos sujeitos, as lembranças traumáticas não mais despertavam os efeitos perturbadores de antes, pediu-se que seus cérebros fossem re-examinados através do mesmo aparelho. Qual não foi a surpresa quando se percebeu que aquelas áreas haviam sido modificadas, não mais apresentando o padrão de Estresse Traumático que antes se notara.

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Transtorno do Estresse Pós-Traumático – TEPT

A psiquiatria norte-americana define, em seu Manual Estatístico de Transtornos Mentais DSM IV (4ª Edição – Artes Médicas), o TEPT como sendo o “desenvolvimento de sintomas característicos após a exposição a um extremo estressor traumático envolvendo a experiência pessoal direta de um evento real ou ameaçador que envolve morte, sério ferimento ou outra ameaça à própria integridade física; ter testemunhado um evento que envolve morte, ferimentos ou ameaça à integridade física de outra pessoa; ou o conhecimento sobre morte violenta ou inesperada, ferimento sério ou ameaça de morte ou ferimento experimentados por um membro da família ou outra pessoa em estreita associação com o indivíduo. A resposta ao evento envolve intenso medo, impotência ou horror. Em criança, a resposta pode envolver comportamento desorganizado ou agitado.

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Traumatologia

estresse-traumatico-somatica-psicoterapiaDesde a inclusão do Transtorno do Estresse Pós Traumático (TEPT) no DSM III, em 1980, quando, então, essa patologia passou a ser reconhecida, diversas pesquisas em teoria e técnica foram estimuladas e esse termo vem sendo empregado na Psicologia e na Psiquiatria para definir um tipo específico de estudo em relação ao trauma e ao seu desdobramento psicológico, fisiológico e social.

Embora esse termo também seja usado na medicina para se referir aos traumas ortopédicos, cirúrgicos, entre outros, na Psicologia e na Psiquiatria, seu emprego remete ao estudo das patologias decorrentes do trauma não resolvido. Aí encontramos os Transtornos Dissociativos, de Ansiedade e alguns Transtornos de Personalidade e as Somatizações, onde o trauma desempenha papel preponderante em sua constituição. Estudiosos como Peter Levine consideram não somente os traumas de choque, mas levam em consideração também os traumas de desenvolvimento, que são os decorrentes dos choques sofridos na infância, onde cabem tanto as quedas, cirurgias, entre outros, quanto os choques causados pelos pais ou outros protetores, e as deficiências na formação dos vínculos parentais estruturantes. Isso demonstra também que a importância do trauma na Psicologia e na Psiquiatria vara de tempos em tempos.

Com Sigmund Freud, o criador da Psicanálise, o foco passou do evento traumático real para a fantasia e para o conflito inerente, resultando num certo desinteresse pela ferida traumática em si. Diversos estudos com ex-combatentes e com vítimas de abuso demonstram que a fantasia e o conflito são tão importantes quanto a lembrança traumática (real). Nossa abordagem pretende dar conta de ambos os lados da questão, aprofundando e ampliando o efeito terapêutico tanto no nível fisiológico quanto no nível psíquico.

Psicoterapia Somática do Trauma

trauma-somatica-psicoterapiacorporalA Psicoterapia Somática do Trauma (PSTr) é uma abordagem focal, criada exclusivamente para tratar portadores de TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático) e demais patologias associadas a trauma, tais como Pânico, Fobias e Ansiedades em geral.

Essa psicoterapia compreende o manejo de técnicas relacionadas com as funções corporais estudadas na Orgonoterapia, que possibilitam o desbloqueio do segmento ocular, importante para a elaboração das memórias traumáticas e o desbloqueio do segmento diafragmático, importante para a descarga e reorganização fisiológica da energia contida em tais memórias. O bloqueio desse segmento também está relacionado ao estresse crônico, que leva à fadiga e à dissociação. Suas intervenções consistem em: aliança terapêutica, movimentos oculares, consciência das sensações corporais, respiração, posturas, manipulação direta de pontos específicos de bloqueio energético e intervenções psicológicas. É uma síntese dos procedimentos empregados na Orgonoterapia com contribuições do EMDR – Eye Movement Desensitization and Reprocessing e da SE – Somatic Experiencing. Visa desativar as memórias traumáticas carregadas energeticamente e possibilitar a ressignificação de crenças e valores inadequados que geralmente acompanham tais memórias e afetam a auto-estima e o desempenho do sujeito. É uma abordagem suave e eficaz, pois trabalha no ritmo de cada um evitando as inundações emocionais que, em alto grau, podem levar à retraumatização.

É possível dar conta dos sintomas em um número significativamente baixo de sessões – entre 12 e 20, possibilitando maior adaptabilidade e funcionalidade, o que deixa o cliente livre para escolher entre terminar sua terapia ao fim dessa etapa ou seguir se aprofundando no autoconhecimento e se desbloqueando energeticamente, conforme a proposta da Orgonoterapia. Antes que tal forma de abordar seja oferecida, o cliente tem de passar por uma avaliação diagnóstica a fim de saber se lhe é adequado tratar uma lembrança traumática desse modo ou se será necessário um tratamento de maior duração, envolvendo sua personalidade e seus bloqueios energéticos como um todo. Muitas vezes um problema aparentemente simples está dominando muitas áreas da vida e requer muitas intervenções e tempo de elaborar.

CONCLUSÃO
A Psicoterapia Corporal Integrativa é, portanto, um estudo teórico e técnico para a construção de uma abordagem apropriada a cada caso individual, que se emprega associada ao desbloqueio energético propiciador de descargas e reorganizações fisiológicas que incrementam a capacidade natural e própria de cada sujeito para o prazer de viver livre de amarras e travas desnecessárias. Suas fontes são: a Psicanálise contemporânea, mais especificamente as escolas das relações objetais e intersubjetivas; a Orgonoterapia desenvolvida por Reich e acrescida de elementos técnicos e teóricos posteriormente desenvolvidos por Jorge Stolkiner, que lidera um movimento chamado de Open-Orgonomy; a Hipnoterapia, que muito evoluiu com as estratégias clínicas de Milton Erickson, oferecendo, ainda recursos tais como Ego States Therapy para tratar dissociação; e a Traumatologia, que nos oferece pesquisas recentes sobre os efeitos do trauma na fisiologia e no psiquismo, proporcionando o emprego de recursos técnicos, tais como EMDR – Eye Movement Desensitization and Reprocessing* (Francine Shapiro) e SE – Somatic Experiencing * (Peter Levine).

Psicoterapia Corporal Integrativa

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HISTÓRIA

A história das psicoterapias começa com a hipnose, praticada desde antes de Cristo, onde o transe, a catarse e a sugestão eram a base dos tratamentos das perturbações psíquicas entendidas como possessões externas ao eu.

Sigmund Freud descobriu a importância da elaboração dos traumas e fantasias inconscientes no processo de cura, acrescentando o aspecto analítico , que se dá pela transferência vivida na relação paciente/terapeuta.

Wilhelm Reich (foto) entrou para o movimento psicanalítico em 1919, quando ainda era um jovem estudante de Medicina interessado na sexualidade. Sua investigação do inconsciente nos pacientes que atendia era seguida de uma forte preocupação com a sociedade e a forma conflitante das relações sociais de sua época. Diante da profunda ausência de felicidade, típica da vida moderna, e ainda atual, Reich via nos excessos da educação repressiva, que priva o homem de se realizar amorosa e sexualmente, a principal causa do sofrimento. Com o sentimento de separação da natureza que se apóia no encouraçamento biofísico , notado nas diversas manifestações clínicas, há o incremento da angústia, devido à impossibilidade de se regular energeticamente pelo amor sem culpa.

Suas posições estavam de acordo com as idéias iniciais de Freud sobre a importância da genitalidade no processo de amadurecimento psíquico, o que o levou a buscar compreender de que forma o inconsciente se manifesta no corpo, de onde extrai sua fonte de energia para sustentar o caráter neurótico e os conflitos emocionais. A psicanálise evoluiu desde Freud, recebendo importantes contribuições que influenciaram tanto o método quanto a teoria, vindas de autores como: Sandor Ferenckzi, Melaine Flein, Donald Winnicott, Jaques Lacan e muitos outros. Assim como o pensamento reichiano, que evoluiu desde a clínica psicanalítica, com ênfase na análise do caráter, passando pela vegetoterapia caractero-analítica e, com a descoberta experimental da energia biológica, passou a ser chamada de orgonoterapia, nome derivado de orgonomia, como Reich chamou a ciência que estuda a energia vital que está na base dos processos psíquicos e somáticos. Seu raciocínio difere do de Freud, pois, uma vez constatada a existência de tal energia, não era mais possível pensar o psiquismo sem levar em consideração que toda a atividade psíquica e/ou é somática é regida pelas funções energéticas de base, tema que será melhor definido no artigo sobre pensamento funcional.

Como a maneira de pensar reichiana remete a outro paradigma, distinto do psicanalítico, pouco conhecido e geralmente mal divulgado, sua obra recebeu importantes contribuições de seus discípulos, cujas tendências divergiam em várias direções. Enquanto uns procuraram manter-se coerentes com posicionamento científico de Reich, outros seguiram suas próprias tendências, apoiadas em suas crenças pessoais e naquilo que observavam em seus clientes . Podemos dizer que a psicoterapia corporal de desenvolveu mais do que a ciência orgonômica, pois essa era o interesse maior daqueles que se aproximavam de Reich. E também que tal estudo presume enveredar pelos caminhos da Física, Biologia e, atualmente, das neurociências, cujos estudos em muito reafirmam as posições defendidas por Reich. Várias escolas foram surgindo e dando, cada qual a seu modo, contribuições para ampliar os recursos clínicos desta abordagem – tão polêmica quanto incompreendida e, muitas vezes, mal tratada por aqueles que nela se frustraram. Entre seus principais colaboradores, está o American College of Orgonomy , com seus pesquisadores, entre os quais se destacaram Charles Konia, Bárbara Koopmann e Elsworth F. Baker. Além desses, desenvolvendo-se de modo independente, é possível encontrar muitos de seus ex-alunos e colaboradores que fundaram suas próprias escolas, tais como Ola Raknes e Frederico Navarro (Vegetoterapia Caractero-Analítica); Alexander Lowen (Bioenergética); John Pierrakos (Core Energetic); David Boadella (Biossíntese); Gerda Boysen (Biodinâmica), entre outros.

Palavra versus Corpo

wilheim-reich-corpo-somatica-psicoterapiacorporalPodemos dizer que, no universo das psicoterapias, há cinco grandes tendências que definem não só o corpo teórico quanto também o perfil dos processos e dos que os empregam.

Na primeira fila, estão as escolas que dão importância ao inconsciente, tais como a Psicanálise, Gestalterapia, Hipnoterapia e Psicodrama. Na segunda fila, estão as escolas humanistas, que dão importância ao sentido da existência. Na terceira, estão os comportamentais, que visam o indivíduo em sua relação com o mundo (adaptação). Esses se definem como cognitivo-comportamentais. E na quarta estão as terapias familiares, que se interessam pela comunicação desde os padrões estabelecidos no aprendizado das relações familiares. Já as terapias corporais, onde temos como origem a Psicanálise, desde Reich, é possível situar o universo das psicoterapias corporais como uma quinta tendência que se serve das outras, uma vez que não é possível referir-se ao indivíduo sem levar em consideração suas necessidades adaptativas, sua atividade anímica inconsciente, suas relações familiares estruturantes, o sentido que se dá à sua existência e o corpo em sua funcionalidade físico-química, emocional e energética.

Enquanto metodologia, cada uma dessas escolas emprega procedimentos que põem a palavra em primeiro lugar. Na psicanálise, espera-se que o inconsciente se manifeste pela associação livre de palavras, desde que faça emergir os afetos nela contidos. Nas abordagens que empregam a dramatização, é necessário que o sujeito fale, assumindo seus papéis. Já as terapias corporais trouxeram uma outra forma de ver a palavra, uma vez que a fala e o comportamento se modificam à medida que a percepção e os desbloqueios das sensações e sentimentos reprimidos acontecem. Em verdade, se o sujeito tiver tendência a usar defesas intelectuais, sua fala terá mais uma conotação defensiva e de resistência ao processo. Tal problema levou alguns terapeutas corporais ao exagero de tratarem a fala, durante a terapia, com desdém, deixando, portanto, de considerar o seu valor no processo de elaboração de conflitos, que podem emergir juntamente com a experiência das técnicas corporais.

A dificuldade de se entender o real valor da fala levou também algumas escolas de psicoterapia corporal a não se desenvolverem no sentido de ampliar recursos que permitam que o conflito seja ressignificado e não somente descarregado energeticamente.