SOMATICA-CARDS-2020 (10)

Angústia e prazer: saindo do labirinto emocional

Angústia e prazer: parte IV – Saindo do labirinto emocional. Na próxima live (ao vivo), quinta-feira, às 11h no Instagram, abordaremos recursos corporais para o enfrentamento de crises.


De acordo com a teoria reichiana de caráter e formação de couraças, somos todos dotados pela natureza da capacidade de enfrentar o perigo e procurar soluções para garantir a sobrevivência. Através da consciência das sensações corporais, podemos encontrar recursos para enfrentar as ameaças que a vida nos impõe. Uma vez conscientes da maneira como reagimos encontramos também meios de conciliação interna entre as partes em conflito, o que nos torna mais calmos e equilibrados no modo de enfrentar o perigo. No entanto, devido às deficiências na formação da personalidade, a maioria de nós tende a se retraumatizar quando enfrenta novos desafios causados por ameaças externas, aumentando sintomas e defesas caracterologicas em vez de fortalecer o eu. Tais ameaças tendem a ser hiperdimensionadas causando ansiedade catastrófica ou desvalorizadas, dependendo da estrutura de caráter. Quando a personalidade usa mecanismos de defesa do ego baseados na negação, dissociação e projeção, tende à criação de cenários falsos ou precários que acabam por preservar a insegurança levando à reatividade emocional.

Como a percepção de segurança está sempre sujeita à reavaliação, dependendo das variações das condições externas, aqueles cujas barreiras de contato não permitem que alcancem os recursos internos tendem a reagir com agressão (contra-ataque). Outras formas de defesa são a racionalização e simplesmente ignorar a importância da situação real. Aqui há uma tendência ao colapso emocional. Estas defesas caracterologicas podem preservar um certo equilíbrio emocional porém não ajudam a encontrar novas forças que progressivamente modificam para melhor a relação com o ambiente externo. Viver assim é o mesmo que viver num labirinto emocional do qual nunca se consegue sair.

Se fossemos livres de couraças sentiríamos a força de nossos instintos mais primitivos, (geralmente subjugados pelo medo de sofrimentos inconscientes) e seríamos capazes de acessar recursos corporais para o enfrentamento de crises e dificuldades. As defesas dissociativas, que são empregadas desde a mais tenra infância, em graus variados, separam emoções, sensações corporais, impulsos e desejos criando bloqueios que igualmente nos afastam do poder inerente ao corpo de prover soluções, fazendo com que a percepção de êxito seja capaz de nos gerar autoconfiança. A percepção de êxito cada vez mais difusa e distante nos torna mais dependentes e inseguros.

Ativar a energia das sete emoções básicas através da dissolução dos bloqueios que lhe são impostos abre os canais associativos, gerando uma força de enfrentamento. Raiva, medo, tristeza, alegria, nojo, sexualidade e vergonha, quando desbloqueadas, parcial ou integralmente, libertam o potencial de enfrentamento que depende da integração consciente entre essas emoções.

Essas capacidades se desenvolvem a partir do reconhecimento objetivo das situações críticas e do acesso ao mundo emocional que gentilmente vai revelando novas interpretações dos fatos e da nossa capacidade de enfrentar.

Ninguém se sente forte ou fraco o tempo todo. Podemos sim, estar dissociados a maior parte do tempo achando que estamos enfrentando bem a realidade. É preciso aceitar que nosso equilíbrio é produzido através do contato com as próprias oscilações emocionais.

Tensões musculares crônicas ou agudas, hipotonias e atitudes caracterologicas, quando devidamente trabalhados, nos ajudam a encontrar novas forças que progressivamente modificam o olhar sobre a ameaça. Se não nos mantemos vivos e abertos emocionalmente, estacionamos em algum ponto obscuro em nossa jornada entre a ignorância e a sabedoria.

Só sentimos autoconfiança quando podemos ter uma percepção integral de nós mesmos no corpo. Através do resgate dessa percepção que é sentida como fluir e pulsar, nos conectamos com a vida viva em nós e despertamos suas qualidades mais positivas. Calma, criatividade, amor compassivo e outras são qualidades que nos fazem sentir vivos e confiantes. Estão disponíveis no fundo sem fundo de nós mesmos e podem ser acessados por uma busca no interior de si mesmo. A falta desta conexão nos deixa a todos debilitados fazendo com que nossa experiência pela existência seja pobre de sentidos. Já o contrário enche de alegria nossos movimentos pelo vida.

Quando: quinta-feira, 21/05
Onde: @somaticapsicoterapia no Instagram
Horário: 11h

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